Foto: Laura Pedrini

Encerrando o Confere Música 2021 e transferindo as programações online para o contato presencial, duas oficinas realizadas na sexta-feira, 22, e sábado, 23, abordaram o tema “Tocantins falando para o mundo – Cena musical tocantinense: entraves, gargalos e debates sobre a identidade local e mercado”. Os encontros tiveram como público-alvo músicos, produtores e demais apreciadores da música. Esses artistas aproveitaram o momento para debaterem, vivenciarem e aprenderem  mais sobre como alavancar seus trabalhos no meio musical, não somente na região Norte, mas em outros locais do País.

As oficinas, que ocorreram na Casa Flácida, local onde funciona o Coletivo Flácido, contaram com a participação de DJ e Host Patrick Tor4 (PE). Nos encontros, ele conversou com os participantes sobre suas experiências no meio musical e como o artista deve se identificar com seu público. “Honestamente eu acho que as mudanças dos últimos anos favorecem os artistas que emergem com uma música com um teor mais local e que vem de origens periféricas. A grande questão está nesses artistas saberem se identificar com seu público, e essas mudanças que houveram nos últimos anos potencializaram espaços ainda maiores para artistas novos que não estão concentrados no eixo Rio-São Paulo, que não são artistas de classes econômicas mais bem estruturadas”.

Patrick ainda ressaltou que as novidades digitais e redes sociais são grandes aliadas da cena independente. “Cada vez mais esse mercado dos streamings, das plataformas digitais, das redes sociais tem potencializado a música popular e isso é uma grande oportunidade. Cabe a esses artistas entenderem, com uma leitora de mercado, onde é que podem se colocar, com quem podem dialogar e usar a seu favor um momento como esse que é tão propício de oportunidades para expandir o trabalho deles”, explicou.

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Aprendizado

Presente nas oficinas, Luan Crispim de Andrade, de 30 anos, integrante da banda Imaginário Mundo, entende a dificuldade do setor e destaca a necessidade de ter esse tipo de debate para alavancar a carreira de artistas independentes, para que consigam sobreviver de sua arte.

“Por ser artista no Tocantins, e principalmente em Palmas, em que a cena é um pouco distante de muita gente do centro e regiões como São Paulo, pelo menos a referência que eu tenho, como tocantinense. Então ter esse evento, ter a Confere, trazendo essa galera para perto, fazendo com que a gente consiga ter uma referência de como acertar na produção, no trabalho autoral, que a gente quer acertar mesmo para levar isso para todos os estados, acredito que é um network, uma construção e uma experiência incrível”, aposta Luan, que atua no projeto da Imaginário Mundo há quase 4 anos. “Estamos tentando sempre alcançar mais pessoas, mais possibilidades de locais, espaços, públicos. E esse network está dilatando mais ideias para futuras possibilidades”, complementa.

Também atenta às novas possibilidades da cena, a produtora cultural Isabel Acker destaca a importância dos espaços de informação e como a Confere tem proporcionado isso na capital tocantinense. “O que pensamos muito, no fazer artístico, é não só na construção da obra, da arte em si, mas em todo esse trabalho que está envolvido. Em como é importante a gente ter a consciência desse trabalho de produção, desse fortalecimento da cena nesse sentido, da gente se fortalecer enquanto público e formadores e produtores desta cena. Isso requer uma formação, requer que a gente pense sobre, que a gente debata coletivamente sobre essas questões, que a gente dialogue sobre isso. É um espaço muito importante para começar a tocar nessas questões, porque como a gente é uma cena pequena, uma cidade pequena, provavelmente não vamos conseguir suprir essa produção com pessoas que não sejam artistas. Nós mesmos que vamos ter que fazer tanto a obra quanto a produção, a formação toda, e ainda consolidar mais o público”, disse.

Confere

Organizada pelos jornalistas culturais Cecília Santos e Philipe Ramos, a Confere Música 2021 tem a proposta de levantar o debate sobre a cena cultural independente com os artistas locais e convidados, por meio de temáticas ligadas ao universo do entretenimento e da música da região Amazônica.

A Confere surgiu durante o período de pandemia do novo coronavírus, ainda em 2020, porém, a iniciativa ganhou um novo formato e, neste ano, foi dividida em dois momentos: a Confere Talks, realizada em junho, e a Confere Música, que acontece agora, neste mês outubro.

“Encontramos na proposta uma alternativa para levar incentivos aos artistas locais e demais estados do Norte. Nós ficamos todo esse tempo carente de eventos, então temos o objetivo de movimentar a cena local, mesmo que seja de forma virtual, porque essa é nossa atual realidade, apesar da vacina”, aposta Cecília Santos.

Projeto

Este projeto foi contemplado pelo Prêmio Aldir Blanc Tocantins do Governo do Estado do Tocantins, com apoio do Governo Federal – Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura e Fundo Nacional de Cultura.

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