Preço da gasolina subiu mais de 30% em 2021 — Foto: ANDRE COELHO/EPA para BBC

O preço médio da gasolina no país, que segue firme acima de R$ 6 e passa de R$ 7 em algumas localidades, deve continuar subindo nas próximas semanas.

Nesta sexta-feira (8/10), a Petrobras anunciou reajuste de 7,8% no combustível que sai das refinarias, uma semana depois de subir também o preço do diesel, e comunicou aumento também do gás de cozinha, o GLP.

Em nota, a estatal atribui as altas à “elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio”. E afirma que vinha evitando o “repasse imediato” da volatilidade para os preços internos – segundo a empresa, a gasolina estava há 58 dias sem aumento nas refinarias e o gás de cozinha, 95 dias.

Nas últimas semanas, o conjunto de fatores que vinha pressionando valor dos combustíveis no mundo ganhou um novo ingrediente: a explosão dos preços de gás natural, o GNL, em meio a temores de uma crise energética na Europa.

Entenda esta e outras razões para a disparada nos preços a seguir.

1. Aumento da demanda

 

A cotação do petróleo vem em uma sequência de alta forte desde o início do ano. O preço do barril do tipo Brent, referência internacional, passou de US$ 80 no último dia 28 de setembro pela primeira vez desde outubro de 2018.

Essa trajetória de alta impacta diretamente nos derivados — gasolina, diesel, gás natural, gás de cozinha — e é explicada por pressões dos dois lados: maior demanda e restrição de oferta.

Parte do aumento do consumo é explicada pela reabertura dos países que têm conseguido implementar de seus programas de vacinação contra a covid-19 — e o impacto da retomada tem sido mais forte do que o esperado em algumas regiões.

Mas essa não é a única razão.

Como explica a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Julia Braga, a China vem usando mais gás natural como substituto do carvão em suas termelétricas. A medida é parte do esforço do país para cumprir as metas para redução da emissão de poluentes e entra na política de médio e longo prazo de transição energética da China.

“Isso também pressiona o preço do barril”, ressalta.

O preço do gás natural disparou nas últimas semanas com o maior consumo também na Europa, surpreendida pela redução da geração de energia renovável, que vinha tendo papel cada vez mais importante na matriz da região.

Muitos dos parques eólicos do continente estão produzindo menos do que a capacidade porque tem ventado menos. No último dia 29 de setembro, a SSE Renewables, empresa britânica do setor, afirmou em comunicado que sua produção entre abril e setembro ficou 32% abaixo do previsto e apontou como uma das razões o fato de o último verão ter sido um dos que menos ventou na Irlanda e Reino Unido.

Além disso, a própria retomada das atividades em ritmo maior que o esperado elevou substancialmente o consumo de gás natural no continente durante o verão, sem que a oferta se recuperasse na mesma velocidade.

O cenário acendeu um alerta entre as autoridades, ante a iminência da chegada do inverno, quando o consumo de energia sazonalmente já cresce.

Deixe uma resposta